Por que a repatriação de Paquetá é um mau negócio para o futebol brasileiro Ou, dito de outro modo: bem-vindo a uma das piores transações da história Não está fácil para ninguém, e com a oscilação do dólar é sempre complicado fazer o bolo de dinheiro crescer.
Onde pôr as economias é pergunta que não quer calar.
Mas, se por ironia, fosse o caso de apontar o pior negócio do mundo, ele acaba de ser revelado.
Em 2018, o Flamengo vendeu o meia Lucas Paquetá para o Milan, da Itália, pelo equivalente a 35 milhões de euros – acaba de recontratá-lo do West Ham da Inglaterra por 42 milhões de euros.
🌍 Contexto e Relevância
Ou seja, em oito anos ele foi e voltou com uma diferença de 7 milhões de euros.
Parabéns para o Flamengo.
É possível que o jogador tenha excelente desempenho, pode até fazer o rubro-negro seguir vencendo, como no ano passado, com o Brasileirão e a Libertadores, mas o vaivém é um pouco chocante do ponto de vista de negócio.
Trajetória semelhante foi a de Gérson, e nesse caso até que o Flamengo se deu bem.
🧠 Análise da Situação
Em 2019, ele foi vendido ao Olympique de Marselha, da França, por algo em torno de 20,5 milhões de euros.
O Cruzeiro acaba de trazê-lo por 27 milhões de euros – prejuízo, digamos assim, para a Raposa mineira.
Como exceção que confirma a regra, o Palmeiras pode comemorar.
Pagou 25,5 milhões de euros por Vitor Roque, que tinha sido vendido pelo Athletico Paranaense para o Barcelona por 30 milhões de dólares.
O jogo financeiro, que quase sempre obriga uma equipe brasileira a pagar mais para ter de volta um craque, é indício de um problema, de um evidente desequilíbrio.
Os atletas voam para longe cada vez mais cedo, e não por acaso muitos dos convocados para a seleção brasileira nunca fizeram fama no Brasil.
É movimento natural, e não há muito a fazer a esse respeito, porque a Europa rica abre o cofre e pronto.
O nó é o retorno, em investimento um tanto esquisito.
Os craques regressam um tantinho envelhecidos, nem sempre em ótima forma, ainda que por aqui possam surfar acima de todas as ondas (e convém lembrar de Memphis Depay, do Corinthians, que meio fora de forma e lento, ainda assim se destaca, mas só quando quer).
Resumo da ópera: os times vendem precocemente jovens talentos por valores relativamente baixos e, depois, recompram os mesmos jogadores a peso de ouro.
📊 Informação Complementar
É caminho que soa inescapável, uma lupa da falta de estrutura, da dificuldade de os clubes do Brasil virarem empresas sérias, equilibradas e controladas.
Vale lembrar, portanto, as dez maiores contratações do futebol brasileiro, agora em valores convertidos para reais, de modo a facilitar a compreensão.
1.
Lucas Paquetá (Do West Ham-ING para o Flamengo): R$260 milhões 2.
Gerson (Do Zenit-RUS para o Cruzeiro): R$ 168,8 milhões 3.
Vitor Roque (Do Barcelona-ESP para o Palmeiras): R$ 162,1 milhões 4.
Samuel Lino (Do Atlético de Madrid-ESP para o Flamengo): R$ 150,7 milhões 5.
Danilo (Do Nottingham Forest-ING para o Botafogo): R$ 143,3 milhões 6.
Pedro (Da Fiorentina-ITA para o Flamengo): R$ 138 milhões 7.
Carlos Tévez (Do Boca Juniors-ARG para o Corinthians): R$ 136,5 milhões 8.
Thiago Almada (Do Atlanta United-EUA para o Botafogo): R$ 130,8 milhões 9.
Edmundo (Da Internazionale-ITA para o Vasco): R$ 128,1 milhões 10.
Gabigol (Da Internazionale-ITA para o Flamengo): R$ 126 milhões
Fonte: veja
29/01/2026 09:50











