Pensa Povo
terça-feira, março 17, 2026
  • MUNDO
  • ESPORTE
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
  • ENTRETENIMENTO
  • JUSTIÇA
  • CURSOS
  • EMPREGOS
No Result
View All Result
  • MUNDO
  • ESPORTE
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
  • ENTRETENIMENTO
  • JUSTIÇA
  • CURSOS
  • EMPREGOS
No Result
View All Result
Pensa Povo

A peste do sigilo

2 de janeiro de 2026
in ECONOMIA, Meio Ambiente, TECNOLOGIA
Home ECONOMIA
0
SHARES
Share on FacebookShare on Twitter

A peste do sigilo O Estado perdeu a capacidade de supervisionar, o mercado perdeu o compromisso com a prudência e a sociedade perdeu a energia para se indignar Quando uma crise atinge o coração de uma sociedade, não são apenas vidas que se perdem.

Ao longo da História, momentos de ruptura revelam fragilidades mais profundas nas estruturas sociais.

RELATED POSTS

Ocorrências criminais em Cabo Verde recuaram 11% em 2025

Frente fria invade Brasil, provoca temporais e causa ventania de até 100 km/h em SP, MS e no Sul

No caso da peste que assolou Atenas, descrita por Tucídides, não foi apenas a saúde pública que colapsou, mas também os pilares morais da cidade.

A instabilidade física serviu como porta de entrada para a degradação ética, moral e institucional.

À medida que o medo avançava, as pessoas deixavam de acreditar nas leis e na punição.

A doença física abriu espaço para uma doença moral: a erosão silenciosa da integridade pública.

O Brasil vive hoje sua própria peste moral.

📌 Pontos Principais

A covid nos deixou emocionalmente exaustos, socialmente divididos e institucionalmente fragilizados.

Dessa exaustão social emergiu algo ainda mais preocupante: a normalização do inaceitável.

Escândalos que deveriam provocar reformas imediatas se dissolvem em poucas horas no fluxo contínuo de notícias.

A sociedade, anestesiada, parece ter perdido a capacidade de se indignar.

E, quando a indignação desaparece, qualquer sistema democrático adoece.

📊 Informação Complementar

As fraudes bilionárias no INSS são um exemplo dessa erosão.

Atingem os mais vulneráveis, aposentados e pensionistas, e revelam um Estado incapaz de proteger seus cidadãos mais frágeis.

O órgão responsável por garantir dignidade na velhice se tornou alvo recorrente de quadrilhas que se aproveitam das brechas administrativas e da ausência de controle.

Quando nem a Previdência Social escapa da lógica da fraude e da corrupção, se perde a âncora moral da própria noção de Estado.

A mesma lógica se manifesta no colapso do Banco Master.

Não houve engenhosidade financeira, houve um modelo insustentável desde a origem.

Práticas como a oferta de taxas fora da realidade de mercado e o uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como suposta garantia não representam inovação financeira.

São, na verdade, sinais evidentes de risco moral e ético.

A teoria econômica descreve esse fenômeno com precisão: quando agentes privados assumem riscos excessivos porque sabem que o custo final será socializado, cria-se o chamado “hazard moral” sistêmico, que compromete toda a arquitetura do mercado.

O FGC, concebido como mecanismo de estabilidade do sistema financeiro, um seguro para evitar corridas bancárias, acabou convertido em parte do modelo de captação.

Em vez de proteger o sistema, passou a incentivá-lo a práticas que o enfraquecem.

A decisão do BRB de adquirir carteiras do Master, apesar de evidências de instabilidade financeira da instituição, agrava a responsabilidade do Estado.

Instituições públicas têm um dever ampliado de diligência.

Quando se expõem a riscos evidentes, a falha deixa de ser apenas gerencial e passa a ser administrativa, econômica e institucional.

Em qualquer democracia, esse tipo de operação exigiria investigação pública rigorosa, debates parlamentares e imediata prestação de contas (“accountability”).

Mas o que se vê no Brasil é o oposto: sigilo absoluto.

Ao decretar sigilo sobre o caso Master, o Supremo Tribunal Federal desfaz um dos pilares da administração pública, a transparência.

Quando processos que envolvem irregularidades financeiras de grande impacto são ocultados da sociedade, se enfraquecem os mecanismos de prevenção e detecção de práticas corruptas.

A ausência de publicidade impede que a sociedade e os órgãos de controle identifiquem conexões ilícitas, responsabilidades e eventuais favorecimentos, comprometendo o escrutínio que a Constituição estabelece como fundamento do regime republicano.

Crimes financeiros, fraude, corrupção são episódios com potencial impacto sistêmico, e, por natureza, são de interesse público.

Pertencem ao povo, não aos autos protegidos por sigilo absoluto.

A crítica se torna ainda mais evidente quando lembramos a célebre lição do juiz Louis Brandeis, da Suprema Corte dos Estados Unidos.

A transparência é o antídoto mais eficaz contra abusos.

“A luz do sol é o melhor desinfetante”, ensinou Brandeis, em um princípio que permanece atual sempre que o sigilo encobre decisões de interesse público.

Quando autoridades politicamente expostas concentram poder no sistema de justiça, a contratação de escritórios pertencentes a seus familiares, por cifras elevadas, intensifica os conflitos entre o dever público e os vínculos privados.

Mesmo quando juridicamente válidas, contratações dessa natureza desafiam padrões mínimos de governança e ampliam a percepção de conflito de interesses, sobretudo quando envolvem instituições financeiras sujeitas a decisões sensíveis.

Nesse ambiente, a pergunta que permanece não é apenas o que é permitido pela lei, mas o que se sustenta à luz da ética e da transparência.

Essa opacidade institucional dialoga diretamente com outro fenômeno: o esquema de combustíveis adulterados.

A infiltração do PCC na cadeia logística, combinada com a lavagem de recursos ilícitos por meio de fintechs da Faria Lima, coração financeiro e simbólico do país, revela a simbiose perigosa entre crime organizado, falhas regulatórias e inovação tecnológica sem controle.

Fintechs criadas para democratizar o crédito e modernizar serviços financeiros acabaram funcionando como plataformas de dissimulação de crimes.

A recorrência de casos como os do INSS, do Banco Master e da infiltração do PCC sugere que não se trata de episódios isolados, mas de um ecossistema contaminado pela mesma doença descrita por Tucídides: a erosão da confiança pública.

O Estado perdeu a capacidade de supervisionar, o mercado perdeu o compromisso com a prudência e a sociedade perdeu a energia para se indignar.

O mais grave não é a extensão dos escândalos, mas a ausência de luz, literal e metafórica.

Sem publicidade, não há controle.

Sem controle, não há punição.

E sem punição, a impunidade se instala, abrindo caminho para a normalização da corrupção.

Tucídides advertia que uma cidade cai quando abandona seus valores.

Brandeis, dois milênios depois, ensinou que nenhuma democracia se sustenta sem luz.

A peste do sigilo prospera quando o país aceita viver às escuras.

Mas, nenhuma democracia sobrevive impune à escuridão institucional.

Ligia Maura Costa, advogada, professora, conselheira independente e autora do livro “Lava Jato: Histórias dos Bastidores da Maior Investigação Anticorrupção do Brasil”


Fonte: veja

02/01/2026 12:58

ShareTweet

Related Posts

Ocorrências criminais em Cabo Verde recuaram 11% em 2025

by Iago
17 de março de 2026

A diminuição verificou-se em todas as ilhas, à exceção de São Nicolau, e em 17 dos 22 concelhos do país....

Frente fria invade Brasil, provoca temporais e causa ventania de até 100 km/h em SP, MS e no Sul

by Iago
17 de março de 2026

Frente fria invade Brasil, provoca temporais e causa ventania de até 100 km/h em SP, MS e no Sul Sete...

Bilha Solidária. Apoio pode subir para 20€? Recorde quem tem direito

by Iago
17 de março de 2026

As decisões sobre apoios caso as subidas dos preços dos combustíveis, gás e eletricidade ultrapassem a barreira crítica serão decididas...

Pai usa dinheiro da poupança do filho para casar de novo. É justo?

by Iago
13 de março de 2026

Pai saca R$ 60 mil da poupança do filho de 10 anos para bancar novo casamento. O pai tem esse...

Lula zera imposto sobre diesel para conter aumento do combustível causado pela guerra

by Iago
12 de março de 2026

Lula zera impostos sobre diesel e anuncia alíquota maior para exportação de petróleo Medidas visam diminuir preço do combustível no...

Next Post

Em ano eleitoral, Tarcísio promete fazer o '(im)possível’ e planeja entregar Rodoanel e Linha-17

PF determina que Eduardo Bolsonaro volte ao cargo de escrivão após ter mandato cassado na Câmara

TRENDING

Brasil

Em campo, na Copa de 2026, a pior seleção brasileira da história

17 de março de 2026
SAÚDE

Três feridos graves em acidente com água a ferver em fábrica de Viana

17 de março de 2026
Meio Ambiente

Ocorrências criminais em Cabo Verde recuaram 11% em 2025

17 de março de 2026
SEGURANÇA

Mãe ainda procura filho desaparecido há 35 anos. Este será o seu rosto

17 de março de 2026
BAHIA

Frente fria invade Brasil, provoca temporais e causa ventania de até 100 km/h em SP, MS e no Sul

17 de março de 2026
PHP Code Snippets Powered By : XYZScripts.com
No Result
View All Result
  • Inicio
  • POLÍTICA
  • MUNDO
  • TECNOLOGIA
  • SAÚDE
  • ECONOMIA
  • ENTRETENIMENTO
  • SEGURANÇA
  • JUSTIÇA
  • Carnaval
  • VIDA E ESTILO

© 2024 Pensa Povo.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a utilizar este site, você está dando consentimento para o uso de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.