Quem são os magnatas do combustível a serviço do PCC Mohamad Hussein Mourad, que se apresentava nas redes como CEO da G8LOG e consultor do grupo Copape atualizado Compartilhar notícia O negócio sujo do Primeiro Comando da Capital (PCC), que movimentou bilhões no setor de combustíveis, tinha dois rostos centrais: Mohamad Hussein Mourad (à esquerda) , conhecido como “Primo” ou “João”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco” (à direita).
Alvos da megaoperação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28/8) em oito estados, eles são apontados como os principais operadores de uma engrenagem criminosa que atravessava toda a cadeia produtiva, das usinas às bombas dos postos de gasolina.
Mohamad Hussein Mourad, que se apresentava nas redes como CEO da G8LOG e consultor do grupo Copape, vendia a imagem de empresário disciplinado, dedicado ao trabalho e aos “resultados sólidos”.
Nos bastidores, segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), era ele o epicentro da rede bilionária de fraudes fiscais e lavagem de dinheiro do PCC.
💥 Impacto e Consequências
Em 2020, Mohamad comprou a Copape (formuladora de gasolina) e a Aster Petróleo (distribuidora), por R$ 52 milhões.
Essas empresas foram instrumentalizadas para gerar créditos tributários falsos, inflar preços em transações internas e lavar dinheiro do crime.
O grupo também usava a Terra Nova Trading, com sede em Tocantins, para importar nafta com imposto reduzido (1%, contra 25% em São Paulo), barateando ilegalmente a produção de combustíveis.
O resultado da operação garantia margens milionárias e prejuízo bilionário aos cofres públicos.
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“Beto Louco”
Se Mohamad era o cérebro, Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, era o gestor da engrenagem.
Ele coordenava as fraudes contábeis e a movimentação financeira, operando fundos de investimento e empresas de participações usadas para blindar o patrimônio da organização criminosa.
Enquanto Mourad centralizava a compra de usinas, postos e distribuidoras, Roberto era o responsável por manter o esquema invisível, criando camadas societárias complexas que dificultavam a identificação dos verdadeiros beneficiários, um método inspirado em offshores e shell companies.
Do posto de esquina ao mercado financeiro
As investigações mostram que o grupo controlava mais de 300 postos de combustíveis envolvidos em adulteração, fraude em bombas e sonegação.
A Secretaria da Fazenda de São Paulo já aplicou multas superiores a R$ 2 bilhões apenas à Copape.
O esquema também avançou para o mercado financeiro.
Pelo menos 40 fundos de investimento, avaliados em R$ 30 bilhões, foram identificados pela Receita Federal como veículos de lavagem de dinheiro do PCC.
Muitos estavam sediados na Avenida Faria Lima, em São Paulo, com operadores infiltrados no coração do mercado de capitais.
Fraudes, ameaças e violência
Não se tratava apenas de “colarinho branco”.
Proprietários de postos que venderam seus negócios à rede criminosa relatam que nunca receberam os valores prometidos e foram ameaçados de morte ao tentar cobrar.
O grupo também importava metanol irregularmente pelo porto de Paranaguá (PR), desviando cargas inteiras.
O produto, altamente inflamável e tóxico, era usado para adulterar combustíveis em escala industrial, expondo consumidores a riscos e gerando lucros astronômicos.
Histórico de fraudes
Essa não foi a primeira vez que Mohamad Mourad apareceu nas páginas policiais.
– Em 2018, já respondia por falsidade ideológica e fraude em bombas.
📊 Informação Complementar
– Em 2019, foi citado em investigação sobre a explosão de um posto na Zona Norte de São Paulo.
– Em 2023, o MPSP o denunciou por adulteração de combustíveis e sonegação milionária em mais de 50 postos controlados por laranjas.
– Sua companheira, Silvana Corrêa, movimentou sozinha mais de R$ 210 milhões em seis anos, segundo relatórios da Justiça.
Carbono Oculto
A ação desta quinta-feira mobilizou 1.400 agentes em oito estados (SP, ES, GO, MS, MT, PR, RJ e SC).
Mais de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, foram atingidos por mandados de busca, apreensão e prisão.
As autoridades estimam que o grupo tenha sonegado R$ 7,6 bilhões em impostos.
As investigações seguem para mapear todo o patrimônio oculto e identificar a extensão da rede que financiava a facção criminosa.
Fonte: metropoles
28/08/2025 14:02