As cidades de Salvador e Cachoeira receberão, a partir desta quarta-feira (2), o festival Panorama Coisa de Cinema. Com mais de 110 filmes para serem exibidos em sua programação, o evento, que chega em sua 20ª edição, trará ainda um seminário com exibidores de pequeno e médio porte do cinema nacional.
Ao Bahia Notícias, a coordenadora de Produção do Panorama e Curadoria de Longas e Programas Especiais, Marília Hughes, comentou sobre o principal objetivo do evento, que teve sua primeira edição realizada em 2006 e idealizada por Claudio Machado.
“A nossa luta, acho que a luta de Cláudio e a minha também é pelo Cinema na sala de cinema”, declarou a produtora. Resgatar o hábito de ocupar as salas de cinema, trocando o streaming, pelo clássico sentimento de assistir na telona é a experiência coletiva que Hughes defende para o cinema nacional.
“Acho que está mais claro do que nunca que essa experiência da sala de cinema, ela é única, ela é insubstituível e ela precisa ser pensada, ela precisa ser valorizada, ela precisa ser alvo de atenção”, defendeu.
É através do festival, e, em especial, da primeira edição do Seminário de Exibição, que Hughes e Machado procuram essa mobilização. “A gente quer discutir isso, como esses filmes estão sendo lançados, como esses filmes estão sendo distribuídos, como é que a gente envolve a sala de cinema”, explicou.
Na Bahia, segundo o Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual, da Agência Nacional de Cinema, existem 143 salas. O número se refere a apenas 4,08% do total de salas em território brasileiro. A maioria, em Salvador e região metropolitana.
Como referência, o sucesso nacional e vencedor do Oscar “Ainda Estou Aqui” arrecadou 252.068 pessoas em apenas 45 salas de cinema. Com esses números, o filme, que estreou no Cine Glauber Rocha, se tornou o longa nacional mais assistido da Bahia em 2024.
Marília explicou que o grande objetivo do evento com o inédito seminário é propor um encontro entre os três elos da cadeia produtiva do audiovisual: exibição, distribuição e produção.
A importância do encontro e da discussão de uma ocupação maior das salas de cinema, vem no mesmo momento do aumento das produções de streamings, que, por vezes, interrompem o ciclo de vida e distribuição do longa-metragem.
“Elas [as distribuidoras] nem aguardam para entender o desempenho que o filme vai ter na sala de cinema”, declarou. “A experiência da sala de cinema é insubstituível enquanto experiência de fruição de uma obra cinematográfica. E isso deve ser valorizado. Esses intervalos entre sala de cinema e streaming devem ser respeitados”, completou.
Para Hughes, o streaming deve vir após o filme esgotar sua trajetória no cinema. A produtora trouxe como exemplo o filme ‘Ainda Estou Aqui’. “Esse filme foi um presente para as salas de cinema, porque levou de volta um público que desde a pandemia tinha saído, abandonado a sala de cinema”, explicou.
O evento estará presente em dois locais de Salvador, Cine Glauber Rocha e Sala Walter da Silveira. Além da capital baiana, Panorama estará no Cine Theatro Cachoeirano, em Cachoeira, Recôncavo do estado.
A presença do evento na cidade ocorre por uma ligação de cinema. “É um diálogo forte com o nosso lema, que é ‘o cinema no centro’, o cinema no centro da cidade, o cinema no centro do histórico das cidades, o cinema também no centro das nossas atenções”, contou.
“Foi a forma que a gente conseguiu de ampliar a nossa luta, que é uma só, é a mesma. Pelas salas de exibição, pelo cinema, pelo cinema de rua, pelo cinema no centro da cidade, pela gente poder ter uma experiência que compartilha a cidade, a cultura”, completou Hughes.
Além do seminário, o Panorama terá Competitivas Nacional, Internacional e Baiana. Ao todo, 62 filmes foram selecionados dentre 1203 longas e curtas inscritos nas competitivas. Haverá ainda uma Mostra de Filmes Restaurados, com a sessão de produções como “Bye Bye Brasil” e “Dona Flor e seus dois maridos”.